ANATOMIA FROZEN

Junho 20, 2009

Joca Andreazza e Paulo Marcello

Joca Andreazza e Paulo Marcello

Em sua 3a edição, o projeto “Vitrine Cultural” reune espetáculos que primam pela qualidade. A peça que fui ver na última semana foi “Anatomia Frozen“, o espetáculo retrata a vida de um pedófilo, a mãe de uma das vítimas e uma psiquiatra que apresenta uma tese sobre assassinatos em série.

O texto foi interpretado pelos mesmos atores e diretor de “Agreste“, a peça mais importante do ano segundo a crítica. Os dois atores se alternam e representam todos os personagens do drama.

A encenação  tem uma qualidade altíssima, junto com a trilha sonora e também o figurino, causam um ambiente de tensão, algo perturbador.

Gostei tanto que penso em voltar! E sem dúvida, pela qualidade dos atores, penso também em assistir “Agreste”.

paulo_martelli

Paulo Martelli e seu violão de 11 cordas

O Seminário Vital Medeiros acontece todo ano e é um evento internacional que homenageia o violonista mogiano Vital Medeiros. Sua oitava edição ocorreu em Suzano, assim como no ano passado.

Assisti a dois recitais, o primeiro ficou a cargo do brasileiro e aclamado Paulo Martelli, que executou algumas peças de Bach e surpreendeu com seu violão de 11 cordas (foto acima) onde inclusive, abriu para perguntas a respeito do instrumento que só a título de curiosidade custa entre R$ 15.000,00 a R$ 20.000,00, seu timbre é maravilhoso e a execução das peças também foram notáveis.

O segundo foi do cubano naturalizado mexicano Manuel Espinas e me deixou muito feliz com a execução dos 5 prelúdios de Villa-Lobos, se mostrou uma pessoa muito grata com o convite ao evento e com a visita ao Brasil.

Acho lamentável o evento ocorrer em Suzano por falta de apoio da prefeitura de Mogi das Cruzes, talvez não tenham idéia da dimensão histórica e cultural que o evento registra.

O EQUILIBRISTA

Junho 18, 2009

equilibrista

Fui ao cinema Gemini, na última quinta-feira (feriado) para assistir ao premiado documentário, vencedor do Oscar de 2009 em seu gênero, “O Equilibrista“.

Li a respeito do filme na Revista Bravo! e me interessei muito. Philipe Petit é o equilibrista francês que realizou a façanha de andar sobre um cabo de aço entre as Torres Gêmeas – World Trade Center em 1974.

O documentário mostra com depoimentos e com atores que encenam a história, como foi concebida a idéia de Petit, como ele convenceu as pessoas a sua volta a o ajudarem a concretizá-la, como planejou e se preparou considerando os inúmeros imprevistos, como ele e sua equipe invadiram o edifício e finalmente, a realização do “espetáculo”, a travessia que durou 45 minutos… que aliás, é de fato sensacional!!!

Trata-se de um filme sobre sonho e realização, motivação, amor e beleza… Muito curioso rever as Torres Gêmeas.

Mas eu acho interessante como algumas pessoas tentam compreender o documentário como: “Petit estava sobre o cabo que representa a linha entre o bem e o mal, o real e o imaginário“, acho que às vezes interpretam além do que realmente o filme aborda. Logo após sua grande realização, Petit fora entrevistado por jornalistas:

_ Why did you do this?

_ “Why? There is no why.”

VIK MUNIZ

Junho 9, 2009

Medusa Marinara

Medusa Marinara

A exposição do artista plástico Vik Muniz está no Masp até o dia 12/06. Vik é um brasileiro radicado em Nova York que faz experimentos com novas mídias e materiais.

Fui visitar sua obra no último sábado (06/06) e sai muito surpreso com o que vi. Não conhecia muito a respeito de seu trabalho que consiste em compor suas obras com materiais perecíveis ou instáveis e fotografá-las registrando o ângulo ideal para a iluminação desejada.

A Monalisa de pasta de amendoim e geléia de morango, o glamour dos atores de cinema representados por diamantes e caviar,  os catadores de lixo e outros vários trabalhos (como a imagem que representa esse post) impressionam muito pela criatividade, ousadia e composição.

Mas não pude deixar de pensar sobre como a linguagem, que de fato, veste a arte contemporânea. A arte conceitual é suportada pela retórica.

A COMÉDIA DOS ERROS

Junho 6, 2009

comedia

Ontem foi a vez de assistir a peça “Comédia dos Erros” no Teatro Imprensa, adaptação do texto de William Shakespeare. Com o elenco de grandes atores: Bruno Garcia, Monique Alfradique, Marcelo Laham, Issac Bardavid entre outros… Direção de Carlos Milani.

“A história tem início quando um casal é atingido por um naufrágio e se separa. Egeon, o pai, escapa com um de seus filhos gêmeos, Antífolo, e um de seus criados, também gêmeo, Drômio. Emília, a esposa, foge com o outro Antífolo e o outro Drômio – os dois irmãos e os dois criados possuem o mesmo nome.

Com o passar dos anos, Egeon se estabelece na cidade de Siracusa, enquanto Emília vai para a cidade de Éfeso. Quando Antífolo de Siracusa resolve procurar seu irmão, as confusões têm início.”

A adaptação é muito engraçada, os atores chegam a usar a platéia como algumas referências para o contexto da peça. A atuação dos atores é de altíssima qualidade e a Moniquel Alfradique é belíssima =)

Tinha imensa vontade de assistir a uma peça de Shakspeare, fiquei muito feliz com a experiência assistindo na primeira fileira!

Poster da peça "Sonho de um Homem Ridículo"

Poster da peça "Sonho de um Homem Ridículo"

O Teatro Ágora completa 10 anos de exitência e comemora com uma programação extensa. Fui prestigiar o acontecimento na sexta 29/05, assistindo à peça “Sonho de um Homem Ridículo“, adaptação do conto de Dostoiévski.

Celso Frateschi que recentemente renunciou à presidência da Funarte (Fundação Nacional das Artes), volta aos palcos para interpretar o monólogo com direção de Roberto Lage.

A história é sobre um funcionário público que se define como “ridículo” desde que nasceu e resolve dar cabo a sua vida, até encontrar uma menina miserável nas ruas de São Petesburgo que o pede ajuda, ao recusar, entra em um sono profundo e o real e o imaginário se confundem…

A atuação de Frateschi é impecável e o cenário e trilha sonora conseguem realmente reproduzir o ambiente sombrio que envolve os textos do autor.

Como a peça trata muito de questões existencialistas e frustrações, um trecho específico me chamou a atenção, algo muito familiar também:

“Naquele momento era pra mim absolutamente evidente que a vida e o mundo dependiam quase unicamente de mim. Posso dizer mais ainda: que o mundo, agora, parecia quase criado para mim apenas… pois quando tivesse dado o tiro, o mundo deixaria de existir, pelo menos para mim. Isto para não falar sequer de que talvez realmente não houvesse nada mais para ninguém, depois de mim, e que talvez o mundo inteiro, quando o meu conhecimento se extinguisse, se desvanecesse imediatamente como uma visão, como um simples atributo desse conhecimento meu e deixasse de existir, pois talvez todo esse mundo e todos esses homens sejam… unicamente eu mesmo.”

Para quem se interessar em ler o conto, este se encontra aqui =)

Juliana Galdino

Juliana Galdino

Fiquei surpreso ao ver a matéria publicada na Revista Bravo! sobre a peça que assisti há pouco no Teatro Imprensa, acho que resume bem o texto de Kafka e a adaptação para o teatro. Genial idéia do Editor Sênior da Revista, Armando Antenore.

O macaco que protagoniza a peça “Comunicação a uma Academia” incorpora na atriz Juliana Galdino e conta como se tornou humano.


Confira a matéria na Revista Bravo! desse mês.

affonso

Affonso Romano de Sant'Anna

Poeta, ensaísta, cronista e professor, Affonso Romano de Sant’Anna foi entrevistado por Roberto D’Avila em seu programa para a TV Brasil onde falou sobre o seu recente livro publicado “O Enigma Vazio“, no qual faz uma análise sobre a arte contemporânea.

Affonso faz uma análise linguística, retórica e filosófica e abre o discurso falacioso que há cerca de 100 anos domina a arte do nosso tempo.

A Linguística é o estudo científico da linguagem verbal humana, um estudo detido é feito no livro sobre as “frases de efeito” produzidas por Marcel Duchamp, precursor da arte conceitual, e a partir de silogismos simples, Affonso consegue provar de fato o equívoco da arte do século XX.

Isso explica como pessoas sofisticadas, instruídas, qualificadas, saem de museus e exposições de arte contemporânea com a senação de vazio, ou repetindo frases de terceiros numa tentativa de explicar o que presenciaram.

Duchamp defendeu a arte como qualquer objeto desde que deslocado para o museu. O Urinol, sua obra principal, é fruto de duas ausências, na verdade:

Primeiro que “a obra” – O Urinol não estava presente, ela não chegou a ser exposta, o que existia era o conceito, segundo que a linguagem que a define também é falha.

Fiquei bastante impressionado com o poder da linguística, conhecia sua teoria mas até então não imaginava que um Linguista fosse capaz de bater no Calcanhar de Áquiles de algo tão grandioso como um movimento artístico e provar o seu total engano.

Assista à entrevista!

Relacionei esse dois assuntos que tive contato essa semana sem pretensão alguma que não seja a de relacioná-los ao uso da maconha, muito menos tenho a intenção de banalizar ou fazer apologia.

super_highme

O primeiro, “Super High Me”, é um documentário que faz analogia ao filme de Spurlock: “Super Size Me”, onde o mesmo se dispõe a se alimentar apenas com os produtos do McDonald’s. Nessa comédia disfaçada de documentário, Doug Benson, um stand up comedian americano, passa 30 dias sem o uso da droga e 30 dias fumando diariamente, realiza vários exames para medir sua saúde física e mental nas duas etapas para comparar os resultados que são surpreendentes.

O comediante é um usuário da maconha e usa o tema em suas piadass, o filme registra algumas de suas apresentações. Como se trata mais de uma comédia do que um filme com caráter de documentário, vale mais pela curiosidade do que qualquer outra pretensão, é sabido que o humor norte americano é um pouco diferente ao nosso.

Haile Selassie

Haile Selassie

Por coincidência, quase que no mesmo período, li sobre o rastafarianismo em um suplemente da Revista “Super Interessante” com o tema “Deus, o que exsite acima de nós?”. As respostas das religiões (e as da ciência) para a pergunta mais inquietante de todos os tempos.

Tinha pouco conhecimento sobre o Rastafári, sem dúvida ler sobre sua história é muito curioso. A 1a Convenção Universal aconteceu em Back-O-Wall, em Kingston. Um rital ao som de tambores, fogueira e dança, acreditavam que o Imperador da Etiópia, Haile Selassie, fosse a encarnação de Deus, Jah. A terceira encarnação depois de Moisés e o profeta Elias. A Etiópia era a terra prometida pelos adeptos ao Rastafári e a Bíblia fora deturpada para tornar os negros escravos.

No que diz respeito à maconha, sustentavam o seu uso através de Génesis 1:29: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.”

Em uma visita à Jamaica Selassie negou ser Deus, em 1966, e convidou-os a abraçarem a Igreja Cristã Ortodoxa Etíope. Não adiantou, recentemente, uma pesquisa constatou que 10% dos habitantes da ilha ainda se declaram rastafáris.

EBOÇOS DE FRANK GEHRY

Abril 5, 2009

sketches

O arquiteto Frank Gehry convidou o cineasta e amigo Sydney Pollack para fazer um documentário sobre sua vida, seu processo criativo e sua maneira de trabalhar. Sydney, admirador do trabalho do amigo, não tinha conhecimento sobre documentários, tão pouco sobre arquitetura. Com uma câmera na mão, acompanha Frank em seus depoimentos, no trabalho e seus projetos.

Como designer, me identifiquei muito, logo no início do filme, a agústia de “criar”, a dificuldade de “começar” e descobrir uma linha criativa, a respeito disso Frank diz:

“Eu não sei o que você faz quando começa mas eu limpo minha mesa, faço anotações idiotas de forma a parecerem importantes.

Rejeição, atraso, negação.

Sempre tenho medo de não saber o que fazer, é um momento apavorante.

Depois, quando começo, sempre fico maravilhado:
‘Não foi tão ruim’.

É muito interessante observar também no documentário, Frank e seu Assistente construindo um esboço de uma maquete e como o arquiteto observa e toma suas decisões de “forma” durante o processo, como uma escultura.

Apesar de sua obra mais conhecida ser o Museu Guggenheim Bilbao, muito admirada e aclamada por todos, fiquei bastante impressionado com o Walt Disney Concert Hall (imagem que posto abaixo), achei suas formas com mais fluência e sua arquitetura identifica bem a imagem de Walt Disney.

Walt Disney Concert Hall

Walt Disney Concert Hall

A equipe que trabalha com Gery é munida de tecnologia de ponta para atender seus projetos com profissionais não menos qualificados, um time multidisciplinar.

Um ótimo filme, principalmente para aqueles que lidam com criação e arte.