Poster da peça "Sonho de um Homem Ridículo"

Poster da peça "Sonho de um Homem Ridículo"

O Teatro Ágora completa 10 anos de exitência e comemora com uma programação extensa. Fui prestigiar o acontecimento na sexta 29/05, assistindo à peça “Sonho de um Homem Ridículo“, adaptação do conto de Dostoiévski.

Celso Frateschi que recentemente renunciou à presidência da Funarte (Fundação Nacional das Artes), volta aos palcos para interpretar o monólogo com direção de Roberto Lage.

A história é sobre um funcionário público que se define como “ridículo” desde que nasceu e resolve dar cabo a sua vida, até encontrar uma menina miserável nas ruas de São Petesburgo que o pede ajuda, ao recusar, entra em um sono profundo e o real e o imaginário se confundem…

A atuação de Frateschi é impecável e o cenário e trilha sonora conseguem realmente reproduzir o ambiente sombrio que envolve os textos do autor.

Como a peça trata muito de questões existencialistas e frustrações, um trecho específico me chamou a atenção, algo muito familiar também:

“Naquele momento era pra mim absolutamente evidente que a vida e o mundo dependiam quase unicamente de mim. Posso dizer mais ainda: que o mundo, agora, parecia quase criado para mim apenas… pois quando tivesse dado o tiro, o mundo deixaria de existir, pelo menos para mim. Isto para não falar sequer de que talvez realmente não houvesse nada mais para ninguém, depois de mim, e que talvez o mundo inteiro, quando o meu conhecimento se extinguisse, se desvanecesse imediatamente como uma visão, como um simples atributo desse conhecimento meu e deixasse de existir, pois talvez todo esse mundo e todos esses homens sejam… unicamente eu mesmo.”

Para quem se interessar em ler o conto, este se encontra aqui =)

Leave a Reply