ALEXANDRE WOLLNER
Outubro 4, 2009

Dirigido por Gustavo Moura e coordenado por André Stolarski, “Alexandre Wollner e a formação do design moderno no Brasil” é um documentário que fala da trajetória do designer gráfico brasileiro e a produção dos trabalhos gráficos que definiram uma identidade visual brasileira própria .
Como designer, tomei nota de pontos polêmicos abordados que sempre são discutidos pela comunidade, e não foi diferente em fóruns e comentários de blogs que publicaram o documentário (disponível na rede gratuitamente), e o que é muito passível de discussão é o momento em que Wollner diz “Design é projeto, não é ilustração…”
Minha posição é favorável a opinião do designer que exemplifica o assunto com a capa de um livro, a mesma é definida como ilustração, mas se houver um trabalho também com a tipografia, o tipo de papel, a diagramação do livro, aí sim pode ser considerado design (pois se trata de um projeto). Achei justa e bem clara sua colocação.
Seu trabalho mais conhecido é a identidade visual do banco Itaú, Wollner mostra todo o processo e o conceito da marca e aborda um assunto peculiar sobre a solicitação da escala cromática que acontecera mais tarde.
Muito interessante também é sua análise ao design dos jornais brasileiros, uma vez que participou do projeto do Correia da Manhã, feito quando estava na FormInform, primeiro estúdio de design do país fundado pelo mesmo.
Enfim, é um filme indispensável para qualquer profissional ou curioso da área.
Segue abaixo algumas marcas desenvolvidas por Wollner:

CRUMB
Agosto 8, 2009

“Crumb” é um documentário sobre um dos maiores artistas e ilustradores, Robert Crumb, autor de “Zap Comics”, “Fritz, the Cat”, “Mr. Natural” entre tantos…
O filme foi dirigido por Terry Zwigoff que mostra um excepcional artista, talvez o maior talento dos quadrinhos da segunda metáde do século XX.
Ao mesmo tempo retrata uma figura engraçada e pervertida que foge totalmente dos padrões sociais.
Seus conflitos psicológicos, certamento fruto de uma família totalmente perturbarda, tanto sua mãe como seus irmãos Charles e Maxon, que sofrem de um certo grau de sociofobia, mostram como sua arte foi uma válvula para tamanho sofrimento. Seu estilo underground reflete os conceitos, os traumas, seus problemas com as mulheres e suas experiências com drogas.
Logo no início do filme, nos créditos, é exibido o nome de David Lynch. Foi Terry quem pediu ao mesmo autorização para usar seu nome para promoção do documentário.
O EQUILIBRISTA
Junho 18, 2009

Fui ao cinema Gemini, na última quinta-feira (feriado) para assistir ao premiado documentário, vencedor do Oscar de 2009 em seu gênero, “O Equilibrista“.
Li a respeito do filme na Revista Bravo! e me interessei muito. Philipe Petit é o equilibrista francês que realizou a façanha de andar sobre um cabo de aço entre as Torres Gêmeas – World Trade Center em 1974.
O documentário mostra com depoimentos e com atores que encenam a história, como foi concebida a idéia de Petit, como ele convenceu as pessoas a sua volta a o ajudarem a concretizá-la, como planejou e se preparou considerando os inúmeros imprevistos, como ele e sua equipe invadiram o edifício e finalmente, a realização do “espetáculo”, a travessia que durou 45 minutos… que aliás, é de fato sensacional!!!
Trata-se de um filme sobre sonho e realização, motivação, amor e beleza… Muito curioso rever as Torres Gêmeas.
Mas eu acho interessante como algumas pessoas tentam compreender o documentário como: “Petit estava sobre o cabo que representa a linha entre o bem e o mal, o real e o imaginário“, acho que às vezes interpretam além do que realmente o filme aborda. Logo após sua grande realização, Petit fora entrevistado por jornalistas:
_ Why did you do this?
_ “Why? There is no why.”
SUPER HIGH ME E O RASTAFARIANISMO
Abril 6, 2009
Relacionei esse dois assuntos que tive contato essa semana sem pretensão alguma que não seja a de relacioná-los ao uso da maconha, muito menos tenho a intenção de banalizar ou fazer apologia.

O primeiro, “Super High Me”, é um documentário que faz analogia ao filme de Spurlock: “Super Size Me”, onde o mesmo se dispõe a se alimentar apenas com os produtos do McDonald’s. Nessa comédia disfaçada de documentário, Doug Benson, um stand up comedian americano, passa 30 dias sem o uso da droga e 30 dias fumando diariamente, realiza vários exames para medir sua saúde física e mental nas duas etapas para comparar os resultados que são surpreendentes.
O comediante é um usuário da maconha e usa o tema em suas piadass, o filme registra algumas de suas apresentações. Como se trata mais de uma comédia do que um filme com caráter de documentário, vale mais pela curiosidade do que qualquer outra pretensão, é sabido que o humor norte americano é um pouco diferente ao nosso.

Haile Selassie
Por coincidência, quase que no mesmo período, li sobre o rastafarianismo em um suplemente da Revista “Super Interessante” com o tema “Deus, o que exsite acima de nós?”. As respostas das religiões (e as da ciência) para a pergunta mais inquietante de todos os tempos.
Tinha pouco conhecimento sobre o Rastafári, sem dúvida ler sobre sua história é muito curioso. A 1a Convenção Universal aconteceu em Back-O-Wall, em Kingston. Um rital ao som de tambores, fogueira e dança, acreditavam que o Imperador da Etiópia, Haile Selassie, fosse a encarnação de Deus, Jah. A terceira encarnação depois de Moisés e o profeta Elias. A Etiópia era a terra prometida pelos adeptos ao Rastafári e a Bíblia fora deturpada para tornar os negros escravos.
No que diz respeito à maconha, sustentavam o seu uso através de Génesis 1:29: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.”
Em uma visita à Jamaica Selassie negou ser Deus, em 1966, e convidou-os a abraçarem a Igreja Cristã Ortodoxa Etíope. Não adiantou, recentemente, uma pesquisa constatou que 10% dos habitantes da ilha ainda se declaram rastafáris.
EBOÇOS DE FRANK GEHRY
Abril 5, 2009

O arquiteto Frank Gehry convidou o cineasta e amigo Sydney Pollack para fazer um documentário sobre sua vida, seu processo criativo e sua maneira de trabalhar. Sydney, admirador do trabalho do amigo, não tinha conhecimento sobre documentários, tão pouco sobre arquitetura. Com uma câmera na mão, acompanha Frank em seus depoimentos, no trabalho e seus projetos.
Como designer, me identifiquei muito, logo no início do filme, a agústia de “criar”, a dificuldade de “começar” e descobrir uma linha criativa, a respeito disso Frank diz:
“Eu não sei o que você faz quando começa mas eu limpo minha mesa, faço anotações idiotas de forma a parecerem importantes.
Rejeição, atraso, negação.
Sempre tenho medo de não saber o que fazer, é um momento apavorante.
Depois, quando começo, sempre fico maravilhado:
‘Não foi tão ruim’.“
É muito interessante observar também no documentário, Frank e seu Assistente construindo um esboço de uma maquete e como o arquiteto observa e toma suas decisões de “forma” durante o processo, como uma escultura.
Apesar de sua obra mais conhecida ser o Museu Guggenheim Bilbao, muito admirada e aclamada por todos, fiquei bastante impressionado com o Walt Disney Concert Hall (imagem que posto abaixo), achei suas formas com mais fluência e sua arquitetura identifica bem a imagem de Walt Disney.

Walt Disney Concert Hall
A equipe que trabalha com Gery é munida de tecnologia de ponta para atender seus projetos com profissionais não menos qualificados, um time multidisciplinar.
Um ótimo filme, principalmente para aqueles que lidam com criação e arte.
HELVETICA – DOCUMENTÁRIO
Março 14, 2009

Helvética – um documentário sobre tipografia, design gráfico e cultura visual global.
Excelente filme, é impressionante a presença da Helvetica: metrô, cartazer, impressos… no nosso dia-a-dia.
Entre as empresas mais famosas que usam Helvetica nas suas marcas incluem a 3M, American Airlines, a rede de jornalismo BBC News, Boeing, Jeep, linhas aéreas Lufthanse, Microsoft, Panasonic e muitos outros.
O depoimento de designers sobre tipografia, modernistas e pós-modernistas, são muito inspiradores, fiquei feliz em ver Sagmeister, David Carlson e o perfil conservadores de Massino Vignolli:
“Você pode dizer ‘eu te amo’ em Helvetica.
E pode dizer em Helvetica Extra Light se quiser ser realmente romântico.
Ou em Extra Bold se for realmente intenso e apaixonado…
e deve funcionar.“
Realmente um documentário de altíssima qualidade.
MANDA BALA
Setembro 9, 2008

Estou há algum tempo sem postar nada no blog, resolvi escrever então sobre um assunto que estava pendente, sobre o documentário “Manda Bala” do cineasta Jason Kohn.
Li na revista Bravo! do mês de abril, uma análise de Elisa Tozzi e Maria Eduarda Andrade sobre o documentário e corri para assistir, concordei imediatamente com todos os pontos abordados por elas com indignação.
Texto retirado da Revista Bravo!:
Uma nação em que os ricos roubam o Estado, os pobres roubam os ricos, os ranários acobertam corruptores e os cirurgiões plásticos refazem as orelhas decepadas das vítimas de seqüestro. Eis o enredo de “Manda Bala”, documentário norte-americano que traça um retrato sensacionalista do cotidiano brasileiro, faturou importantes prêmios internacionais.
No documentário, o país se resume a uma equação simplista e linear.
Jason Kohn se vale de recursos que muitos documentaristas condenam:
Dados Descontextualizados: O Diretor ignora alguns dados e exibe outros como os valores de alguns resgates pedidos pelos seqüestradores em 2003.
Imagens não Identificadas: Certas imagens, como a de seqüestradores ameaçando e torturando suas vítimas, chocam, mas surge a dúvida: com quem o diretor as conseguiu? Não há créditos. O espectador fica sem saber se os vídeos são reais ou meras encenações sensacionalistas.
Falta de transparência com os entrevistados: Durante a produção do filme, Kohn não revelou a alguns personagens o teor do documentário. O cirurgião plástico Juarez Avelar, especialista em reconstrução de orelhas e criador de uma técnica inovadora que refaz o órgão a partir de cartilagem da costela, desconhecia o conteúdo do filme quando deu entrevista. O médico de São Paulo, que ainda não viu Manda Bala, pensava tratar-se de um documentário sobre cirurgia de orelhas.
Encenações vendidas como realidade: Numa seqüência que mostra o bairro paraense de Jaderlândia, curral político de Jader Barbalho, meninos pobres brincam de seqüestradores, apontando para a câmera um revôlver imaginário e fingindo cortar as orelhas de suas vítimas (foto). Kohn pediu às crianças que simulassem os gestos. Documentários se utilizam de reconstituições e encenações com certa freqüência, mas a ética recomenda que o artifício seja revelado ao público, o que não ocorre em Manda Bala.
A VIDA É UM SOPRO
Janeiro 10, 2008
Em comemoração aos 100 anos de Oscar Niemeyer, assisti ao documentário “A Vida é um Sopro”, ótimo filme que mostra o “gênio oficial” irreverente, suas obras, seu processo criativo, seus conceitos…
Várias trechos me chamaram a atenção, quando, por exemplo, diz que a Bauhaus foi um erro e quando critica a arquitetura funcional de Le Corbusier, afirmando que nossa arquitetura, leve e solta, própria para o nosso clima, influenciou o arquiteto Suiço/Francês em seus últimos projetos.
Interessante como sua arquitetura se fixou e se tornou referência para “marcas”, como as colunas do Alvorada e o Museu de Niterói;
O filme traz um comentário de José Saramago sobre a posição política de Niemeyer, ainda comunista…
aborda suas idéias com o arquiteto explicadas com papel e caneta e exibe Chico Buarque recitando seu poema “A Casa do Oscar”.
Mas a melhor definição das curvas usadas por Niemeyer é feita pelo mesmo:
“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos sentidos, nas nuvens do céu. No corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo”.
…ou por Eduardo Galeano:
“É sabido que Oscar Niemeyer odeia o capitalismo e odeia o ângulo reto. Contra o ângulo reto, que ofende o espaço, ele tem feito uma arquitetura leve como as nuvens, livre, sensual, que é muito parecida com a paisagem das montanhas do Rio de Janeiro. São montanhas que parecem corpos de mulheres deitadas, desenhadas por Deus no dia em que Deus achou que era Niemeyer”.
Vale muito a pena assistir!