ROBERTO ZUCCO
janeiro 15, 2011
Assistir à peça Roberto Zucco foi a experiência mais inusitava que já tive no teatro, foi exibida no Satyros, na Praça Roosevelt. Devido ao espaço reduzido, as arquibancadas móveis permitiam que girassem a platéia, sim “girassem”, de acordo com as etapas da peça, simulando vários ambientes em que a história ocorria.
Escrita em 1988 pelo francês Bernard-Marie Koltès, foi inspirada no últimos momentos da vida do serial killer italiano “Roberto Succo” que fugiu da prisão após ser condenado por matar seu pai, sua mãe e um policial.
Koltès morreu vítima da AIDS e escreveu a peça quando já estava em estado terminal e há sugestões de ser o texto autobiográfico. Em entrevista à Folha, o ator que interpreta o serial killer explica melhor isso:
Em que trechos do espetáculo isso fica mais evidente?
Catalunha – Zucco morre lutando pela vida. Tem uma hora em que ele diz: “Não quero morrer, eu vou morrer”. Há também o fato de ele matar os pais. Assim, ele perde o vínculo com a família. Além disso, mata um policial e perde um vínculo com a sociedade. Mata um garoto e perde o vínculo com a infância. Mais tarde, ele se identifica com um velho e não o mata.
ENQUANTO ISSO…
janeiro 9, 2011
Na última quinta-feira fui assistir à uma peça no Teatro Folha no Shopping Higienópolis, não conhecia o teatro e achei até bem elegante o ambiente, com boas acomodações.
“Enquanto Isso…” (The Norman Conquests) é uma trilogia do dramaturgo inglês Alan Aykbourn, escrita em 1973. As três partes se passam ao mesmo tempo dentro de uma casa, em ambientes diferentes: Sala de Estar, Sala de Jantar e Jardim, a peça que assisti foi a “Sala de Jantar”. O legal é que elas são independentes e você não precisa assistir as três para compreender a história.
A tradução (adaptação) usou Mogi das Cruzes como a cidade motivo de chacota durante a peça. (não gostei disso =/). Mas a peça é muito divertida, recomendo… Estou pensando em assistir as outras duas peças da trilogia!
O GRANDE INQUISIDOR
junho 26, 2010
O Grande Inquisidor está em cartaz no Teatro Ágora com Celso Frateschi, é um monólogo em que um bispo, na época da inquisição, ao mandar prender Jesus reencarnado, reclama e protesta sua volta e o fardo do livre arbítrio que esse deu aos homens. A peça é uma adaptação de uma passagem do livro “Os Irmãos Karamazov“, de Dostoiévski.
Como sempre, Frateschi se preocupa com o figurino, cenário, ambientação. Achei que dessa vez sua atuação ficou um pouco limitada ao texto que é brilhante mas é pouco teatral. (humilde opinião)
FESTA DE SEPARAÇÃO
março 27, 2010
“Festa de Separação: Um Documentário Cênico” surgiu da experiência pessoal de um casal que rompe a relação e realiza uma festa para celebrar o momento.
A peça dialoga com vídeos, fotos, músicas que “documentaram” a relação do casal, além de citações literárias e cinematográficas sobre o assunto.
Muito interativa, o casal conversa com o público em uma tentativa de recriar a atmosfera da tal festa!
Ainda em cartaz no Teatro Imprensa.
ESCUTA, ZÉ MANÉ!
dezembro 31, 2009
Inspirado no livro Listen, Little Man, do psiquiatra austríaco Wilhelm Reich (1897-1957). Pereio, que protagoniza e escreveu a peça, convidou João Velho (seu filho) e Neca Zarvos para atuar também na montagem.
Pereio interpreta um sujeito em conflito com seu “eu” jovem e seu lado feminino, provoca o espectador e o leva a reflexão da acomodação diante de autoridades eleitas por você “Zé Mané!”.
Mesmo partindo de uma idéia interessante, a peça se desenrola em um contexto tedioso.
Particularmente, tinha uma enorme vontade de ver Paulo Cesar Pereio atuando que se mostra já sem “fôlego”. Uma curiosidade é que sua ex-mulher, Cissa Guimarães (mãe de João Velho, que contracena com o pai na peça), estava presente na platéia.
TÁ VENDO ALGUMA ESPERANÇA?
outubro 4, 2009

Não pude deixar de ir à estréia em São Paulo da peça “Henfil Já!”, encenada pelo grupo curitibano no Teatro Imprensa.
Henfil foi um cartunista, jornalista e escritor de grande influência e militante durante o período das “Diretas Já”. Conheci seu trabalho depois de assistir a um documentário sobre sua vida e obra.
A peça é baseada no texto de “Cartas da Mãe”, crônica sobre o Brasil dos últimos 30 anos contada através das cartas que o cartunista escreveu para sua mãe, Dona Maria.
Achei que conseguiram muito bem misturar humor com crítica social e política bem como teor de angústia que Henfil (este que sofria de Hemofilia) passava através dos textos. O humor sem dúvida se faz mais presente e não consegui evitar a crise de riso no pequeno “espaço vitrine” durante toda a peça, para constrangimento da minha namorada.

AVENIDA Q
setembro 14, 2009

Fui assistir ao musical “Avenida Q” no teatro Procópio Ferreira através de uma promoção realizada via Twitter.
Politicamente incorreto, o musical com bonecos inspirados na “Vila Sésamo” e “Muppet Show” (aparentemente ingênuos) tratam de assuntos polêmicos e falam de homosexualidade, judeus, negros, minorias, imigrantes e desempregados.
O espetáculo conta com Orquestra ao vivo, recursos de vídeo e a tradução permite aos personagens tratarem de assuntos da política nacional.
Destaque para os “Ursinhos do Mal”!
A versão original ganhou três prêmios Tony (musical, música original e libreto).
ENTRE QUATRO PAREDES
agosto 8, 2009

Semana passada fui assistir à peça “Entre Quatro Paredes” do filósofo francês Jean-Paul Sartre no espaço Satyros 2 – Praça Roosevelt, com Bruna Thedy, Marta Caetannon Tiago Real e Rodrigo Fabbro.
Garcin, Estelle e Inês, os personagens da peça se conhecem no inferno, um inferno totalmente diferente do que supunham, sem fogo, sem fornalhas e demônios…
Garcin não suporta a futilidade de Estelle, que não suporta a sinceridade de Inês, que não suporta a covardia de Garcin. Ao mesmo tempo depositam expectativas com relação ao outro. Estão condenados a viverem juntos pela eternidade: “O Inferno são os Outros….“
A ausência de espelhos no suposto inferno de Sartre está em quem pode ser o espelho, o outro é fundamental.
CANDIDA
julho 23, 2009

Fui assistir à peça no teatro “Sérgio Cardoso” com a expectativa de ver a atuação de Bia Seidel de perto, infelizmente o papel estava reservado a outra atriz, talvez pelo fato de se tratar de uma temporada popular.
A peça de Bernard Shaw me agradou, retrata a identidade controversa de dois homens com ironia e irreverência.
Não havia visitado o teatro também, não tinha noção de suas dimensões…
ANATOMIA FROZEN
junho 20, 2009

Joca Andreazza e Paulo Marcello
Em sua 3a edição, o projeto “Vitrine Cultural” reune espetáculos que primam pela qualidade. A peça que fui ver na última semana foi “Anatomia Frozen“, o espetáculo retrata a vida de um pedófilo, a mãe de uma das vítimas e uma psiquiatra que apresenta uma tese sobre assassinatos em série.
O texto foi interpretado pelos mesmos atores e diretor de “Agreste“, a peça mais importante do ano segundo a crítica. Os dois atores se alternam e representam todos os personagens do drama.
A encenação tem uma qualidade altíssima, junto com a trilha sonora e também o figurino, causam um ambiente de tensão, algo perturbador.
Gostei tanto que penso em voltar! E sem dúvida, pela qualidade dos atores, penso também em assistir “Agreste”.




