TÁ VENDO ALGUMA ESPERANÇA?
Outubro 4, 2009

Não pude deixar de ir à estréia em São Paulo da peça “Henfil Já!”, encenada pelo grupo curitibano no Teatro Imprensa.
Henfil foi um cartunista, jornalista e escritor de grande influência e militante durante o período das “Diretas Já”. Conheci seu trabalho depois de assistir a um documentário sobre sua vida e obra.
A peça é baseada no texto de “Cartas da Mãe”, crônica sobre o Brasil dos últimos 30 anos contada através das cartas que o cartunista escreveu para sua mãe, Dona Maria.
Achei que conseguiram muito bem misturar humor com crítica social e política bem como teor de angústia que Henfil (este que sofria de Hemofilia) passava através dos textos. O humor sem dúvida se faz mais presente e não consegui evitar a crise de riso no pequeno “espaço vitrine” durante toda a peça, para constrangimento da minha namorada.

AVENIDA Q
Setembro 14, 2009

Fui assistir ao musical “Avenida Q” no teatro Procópio Ferreira através de uma promoção realizada via Twitter.
Politicamente incorreto, o musical com bonecos inspirados na “Vila Sésamo” e “Muppet Show” (aparentemente ingênuos) tratam de assuntos polêmicos e falam de homosexualidade, judeus, negros, minorias, imigrantes e desempregados.
O espetáculo conta com Orquestra ao vivo, recursos de vídeo e a tradução permite aos personagens tratarem de assuntos da política nacional.
Destaque para os “Ursinhos do Mal”!
A versão original ganhou três prêmios Tony (musical, música original e libreto).
ENTRE QUATRO PAREDES
Agosto 8, 2009

Semana passada fui assistir à peça “Entre Quatro Paredes” do filósofo francês Jean-Paul Sartre no espaço Satyros 2 – Praça Roosevelt, com Bruna Thedy, Marta Caetannon Tiago Real e Rodrigo Fabbro.
Garcin, Estelle e Inês, os personagens da peça se conhecem no inferno, um inferno totalmente diferente do que supunham, sem fogo, sem fornalhas e demônios…
Garcin não suporta a futilidade de Estelle, que não suporta a sinceridade de Inês, que não suporta a covardia de Garcin. Ao mesmo tempo depositam expectativas com relação ao outro. Estão condenados a viverem juntos pela eternidade: “O Inferno são os Outros….“
A ausência de espelhos no suposto inferno de Sartre está em quem pode ser o espelho, o outro é fundamental.
CANDIDA
Julho 23, 2009

Fui assistir à peça no teatro “Sérgio Cardoso” com a expectativa de ver a atuação de Bia Seidel de perto, infelizmente o papel estava reservado a outra atriz, talvez pelo fato de se tratar de uma temporada popular.
A peça de Bernard Shaw me agradou, retrata a identidade controversa de dois homens com ironia e irreverência.
Não havia visitado o teatro também, não tinha noção de suas dimensões…
ANATOMIA FROZEN
Junho 20, 2009

Joca Andreazza e Paulo Marcello
Em sua 3a edição, o projeto “Vitrine Cultural” reune espetáculos que primam pela qualidade. A peça que fui ver na última semana foi “Anatomia Frozen“, o espetáculo retrata a vida de um pedófilo, a mãe de uma das vítimas e uma psiquiatra que apresenta uma tese sobre assassinatos em série.
O texto foi interpretado pelos mesmos atores e diretor de “Agreste“, a peça mais importante do ano segundo a crítica. Os dois atores se alternam e representam todos os personagens do drama.
A encenação tem uma qualidade altíssima, junto com a trilha sonora e também o figurino, causam um ambiente de tensão, algo perturbador.
Gostei tanto que penso em voltar! E sem dúvida, pela qualidade dos atores, penso também em assistir “Agreste”.
A COMÉDIA DOS ERROS
Junho 6, 2009

Ontem foi a vez de assistir a peça “Comédia dos Erros” no Teatro Imprensa, adaptação do texto de William Shakespeare. Com o elenco de grandes atores: Bruno Garcia, Monique Alfradique, Marcelo Laham, Issac Bardavid entre outros… Direção de Carlos Milani.
“A história tem início quando um casal é atingido por um naufrágio e se separa. Egeon, o pai, escapa com um de seus filhos gêmeos, Antífolo, e um de seus criados, também gêmeo, Drômio. Emília, a esposa, foge com o outro Antífolo e o outro Drômio – os dois irmãos e os dois criados possuem o mesmo nome.
Com o passar dos anos, Egeon se estabelece na cidade de Siracusa, enquanto Emília vai para a cidade de Éfeso. Quando Antífolo de Siracusa resolve procurar seu irmão, as confusões têm início.”
A adaptação é muito engraçada, os atores chegam a usar a platéia como algumas referências para o contexto da peça. A atuação dos atores é de altíssima qualidade e a Moniquel Alfradique é belíssima =)
Tinha imensa vontade de assistir a uma peça de Shakspeare, fiquei muito feliz com a experiência assistindo na primeira fileira!
SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO
Junho 6, 2009

Poster da peça "Sonho de um Homem Ridículo"
O Teatro Ágora completa 10 anos de exitência e comemora com uma programação extensa. Fui prestigiar o acontecimento na sexta 29/05, assistindo à peça “Sonho de um Homem Ridículo“, adaptação do conto de Dostoiévski.
Celso Frateschi que recentemente renunciou à presidência da Funarte (Fundação Nacional das Artes), volta aos palcos para interpretar o monólogo com direção de Roberto Lage.
A história é sobre um funcionário público que se define como “ridículo” desde que nasceu e resolve dar cabo a sua vida, até encontrar uma menina miserável nas ruas de São Petesburgo que o pede ajuda, ao recusar, entra em um sono profundo e o real e o imaginário se confundem…
A atuação de Frateschi é impecável e o cenário e trilha sonora conseguem realmente reproduzir o ambiente sombrio que envolve os textos do autor.
Como a peça trata muito de questões existencialistas e frustrações, um trecho específico me chamou a atenção, algo muito familiar também:
“Naquele momento era pra mim absolutamente evidente que a vida e o mundo dependiam quase unicamente de mim. Posso dizer mais ainda: que o mundo, agora, parecia quase criado para mim apenas… pois quando tivesse dado o tiro, o mundo deixaria de existir, pelo menos para mim. Isto para não falar sequer de que talvez realmente não houvesse nada mais para ninguém, depois de mim, e que talvez o mundo inteiro, quando o meu conhecimento se extinguisse, se desvanecesse imediatamente como uma visão, como um simples atributo desse conhecimento meu e deixasse de existir, pois talvez todo esse mundo e todos esses homens sejam… unicamente eu mesmo.”
Para quem se interessar em ler o conto, este se encontra aqui =)
MÁSCARA – PEDRO, O VERMELHO
Abril 28, 2009

Juliana Galdino
Fiquei surpreso ao ver a matéria publicada na Revista Bravo! sobre a peça que assisti há pouco no Teatro Imprensa, acho que resume bem o texto de Kafka e a adaptação para o teatro. Genial idéia do Editor Sênior da Revista, Armando Antenore.
O macaco que protagoniza a peça “Comunicação a uma Academia” incorpora na atriz Juliana Galdino e conta como se tornou humano.
COMUNICAÇÃO A UMA ACADEMIA
Março 26, 2009

Fui ontem assistir à peça “Comunicação a uma Academia” no Teatro Imprensa. A peça aconteceu no Espaço Vitrine, um ambiente estreito mas muito adequado ao monólogo.
Juliana Galdino faz o papel de um macaco metamorfoseado em homem que faz um relato “aos excelentíssimos senhores” membros de uma Academia, acerca de sua história e o processo de sua transformação onde aprende a apertar mãos (o que para ele denota um coração aberto); a fumar cachimbo, costume que caracteriza civilização; aprende a beber aguardente até a saturação, outro hábito que nos configura em nossa humanidade (embora o álcool lhe inspirasse absoluta repugnância); e aprende a falar, conquista suprema, e, por conseguinte, aprende a pensar como um de nós.
É interessante obervar que a transformação acontece em um período de apenas 5 anos, ironia do autor ou não, o tempo excessivamente curto mostra a facilidade do animal em se adequar aos hábitos humanos.
Sobre o texto de Kafka, o que se vê é o inverso da obra que tenho como uma das preferidas: “A Metamorfose”, o homem (Gregor Samsa) que se transforma em um inseto. Kafka sabia obervar e expressar como ninguém os hábitos, o comportamento e a angústia do homem contemporâneo.
VESTIDO DE NOIVA
Novembro 17, 2007
Até ler “O Beijo no Asfalto“, só conhecia Nelson Rodrigues assistindo a algumas entrevistas, lendo algumas crônicas e assistindo a algumas mini-séries.
Escolhi então, três peças do dramaturgo para conhecê-lo mais, a primeira foi a peça que já citei, a segunda, “Vestido de Noiva” e a terceira, “Toda Nudez Será Castigada“, só resta essa última agora para concluir essa minha trilogia…
A PEÇA
Pela mente de Alaíde, vítima de atropelamento passam flashes de seu relacionamento com o marido, da disputa com a irmã, de seus desejos inconfessáveis, tudo de forma desencontrada, misturando realidade, lembrança e alucinação.
Gostei da idéia de como foi divido o palco, em 3 planos, para simular a alucinação, a memória e a realidade. Estréia com direção de Ziembinski.